terça-feira, 10 de maio de 2011

Convite

ARTE, REVOLUÇÃO E RESISTÊNCIA NO MUNDO ÁRABE
Dia 12, quinta-feira - no Auditório do FEA-5, às 17h

Paulo Farah (Departamento de Línguas Orientais DLO-USP e BibliASPA)
Sérgio Chuí (Letras Árabe - USP e membro da Frente Palestina USP)
Demétrio Portugal (Curador da exposição "Egito em Obras: Expressões da Revolução")

FEA -  Av. Prof. Luciano Gualberto, 908 Cidade Universitária

Os últimos dos excluídos: os refugiados palestinos

Arlene Clemesha


O problema dos refugiados palestinos, cuja natureza é eminentemente política, deteriorou-se em uma das mais agudas tragédias humanas do mundo contemporâneo. Sua origem remete à partilha do país pela ONU em 1947 e a subseqüente expulsão de aproximadamente 800.000 árabes palestinos do território palestino onde foi criado o Estado de Israel. Mas não parou por aí. Em 1967, 240.000 palestinos se viram forçados a deixar suas casas na Margem Ocidental e Faixa de Gaza, ocupadas por Israel na Guerra de Junho desse ano. Nesse momento, alguns se tornaram refugiados pela segunda vez e passaram a ser denominados, junto com seus descendentes, de “deslocados de 1967”.
O reconhecimento internacional de que uma injustiça fora cometida contra o povo palestino veio logo em 11 de dezembro de 1948, data em que a Assembléia Geral da ONU aprovou a resolução 194 determinando o direito de retorno dos palestinos e a restituição das propriedades perdidas no momento de sua fuga. Desde então, a resolução ONU/AG 194 foi reiterada pelo menos 130 vezes. Em 1974, a resolução ONU/AG 3236 estabeleceria os direitos inalienáveis do povo palestino, incluindo o direito à auto-determinação nacional sem interferência externa, e, no parágrafo 2, “o direito inalienável dos palestinos retornarem a suas casas e propriedades de onde foram desenraizados e deslocados”. De fato, na lei internacional chega a ser irrelevante a questão de como ou porque os palestinos deixaram suas terras para se tornarem refugiados. O que importa nesse caso é que “todos têm o direito de deixar qualquer país, incluindo o seu próprio, e retornar ao seu país” (Artigo 13 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948). Em suma, o direito de retorno não é privilégio, com o qual se poderia negociar, ou cuja implementação pudesse significar uma concessão por uma das partes.

Palestina, 1948-2008 - 60 Anos de Desenraizamento e Desapropriação

O êxodo de aproximadamente 800.000 árabes da Palestina de 1947 a 1949 foi o principal fato constitutivo da sua história moderna, mas recebeu diferentes versões ao longo dos últimos sessenta anos. Este estudo se concentra nas revelações mais recentes da historiografia, oriundas de pesquisas em história oral e a abertura de arquivos israelenses. Analisa o problema da restituição da propriedade palestina confiscada pelo nascente Estado de Israel. Indica, finalmente, a importância do reconhecimento da expulsão do povo palestino e a realização de seus direitos humanos, para qualquer processo interno de reconciliação. O texto foi originalmente publicado em farsi por ocasião do Festival Internacional de Cinema Documentário do Irã.

Link: http://www.4shared.com/document/e4mxLk3H/Palestina_48-08_Arlene_Clemesh.html

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Europa planeja reconhecer Estado palestino, diz embaixador francês

A França e os demais países europeus pretendem reconhecer formalmente um Estado palestino como medida para impulsionar o processo de paz no Oriente Médio, afirmou nesta quinta-feira em um debate no Conselho de Segurança das Nações Unidas o embaixador francês perante o órgão, Gérard Araud.
"O reconhecimento do Estado da Palestina é uma das opções que a França avalia com seus aliados europeus como forma de criar um horizonte político a fim de reapresentar o processo de paz", disse Araud.
A pressão internacional existente para que israelenses e palestinos voltem à mesa de negociações era evidente na reunião do órgão da ONU.
Araud, que destacou o compromisso da França com a segurança de Israel, explicou que, se o seu país e as demais nações europeias tomarem essa decisão, esse passo "deve favorecer a retomada das negociações com base em parâmetros internacionais bem conhecidos".
Enquanto o embaixador discursava no Conselho de Segurança, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, manifestou em Paris seu apoio às iniciativas do presidente palestino, Mahmoud Abbas, para acabar com a divisão atual entre a faixa de Gaza e a Cisjordânia e, além disso, à formação de um governo de tecnocratas que prepare as eleições gerais.
Na reunião desta quinta, o subsecretário da ONU para Assuntos Políticos, Lynn Pascoe, fez o mesmo pedido à comunidade internacional e a convidou a apoiar Abbas e o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, para que retomem as negociações com uma voz única palestina.
O diplomata americano pediu apoio ativo para superar "o ponto morto em que estão as conversas de paz" desde setembro de 2010. Pascoe alertou que a situação na zona é complicada devido aos numerosos incidentes violentos no último mês --ataques de milícias palestinas contra Israel em Gaza e a retaliação israelense.
Pascoe ressaltou que a comunidade internacional deve ajudar as partes a avançar no processo, e afirmou que a ONU continuará trabalhando dentro do Quarteto para o Oriente Médio --formado por Estados Unidos, União Européia (UE), ONU e Rússia-- para organizar uma reunião o mais rápido possível.
A necessidade de que as negociações sejam retomadas marcou a maior parte dos discursos pronunciados em um debate no qual participaram mais de 40 delegações, alguns com pedidos para que os EUA recuperem a liderança nos esforços para avançar no processo.
ISRAEL
O embaixador de Israel perante a ONU, Meron Reuben, reiterou que "a paz só é possível através de negociações diretas e não pode ser imposta de fora".
"Qualquer acordo de paz deve ser construído com base nos princípios básicos de mútuo reconhecimento e segurança", afirmou Reuben, que justificou as últimas atuações militares de seu país como atos de legítima defesa, e pediu ao Conselho de Segurança que ofereça "soluções (ao conflito), e não resoluções".
Já a embaixadora dos EUA perante a ONU, Susan Rice, ressaltou que "as negociações entre as partes continuam sendo o único caminho para resolver todos os problemas e estabelecer um Estado palestino soberano ao lado de um Israel seguro".
Susan pediu aos responsáveis da ANP que continuem trabalhando para que "as conversas de paz possam avançar e resultem na criação de um Estado palestino".
O representante palestino perante a ONU, Riad Mansur, pediu em discurso que, para avançar no processo, seja promovida "uma forte liderança dos membros do Quarteto, inclusive os EUA, levando em conta o papel que exerceram no processo de paz".

Link: http://folha.com/mu905864

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Liga Árabe pedirá a ONU zona de exclusão aérea em Gaza

A Liga Árabe decidiu neste domingo pedir ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) a imposição de uma zona de exclusão aérea "contra a força aérea israelense para proteger os civis da Faixa de Gaza".
Em comunicado, a organização pan-árabe acordou a medida após uma reunião urgente de seus embaixadores permanentes no Cairo para analisar a escalada de tensão na faixa palestina.
Na reunião, os representantes decidiram encarregar ao grupo árabe na ONU de solicitar uma reunião urgente do Conselho de Segurança "para estudar a agressão israelense contra Gaza e o levantamento do cerco por parte de Israel para impor uma zona de exclusão aérea contra a aviação israelense para proteger aos civis".
A nota acrescenta que a Liga Árabe decidiu pedir "à ONU, ao Conselho de Segurança e ao Quarteto [para o Oriente Médio] que assumam as responsabilidades para deter a constante agressão israelense e os massacres, e garantam proteção internacional ao povo palestino em Gaza".
Os embaixadores permanentes pedem "a adoção das medidas necessárias" para interromper as agressões de Israel e reiteraram "a necessidade de levantar o cerco sobre Gaza e de abrir as passagens na fronteira".
Expressaram ainda a satisfação com a iniciativa do presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, para colocar fim às divisões entre os palestinos e alcançar uma reconciliação nacional.
Na última quinta-feira, o disparo de um foguete a partir de Gaza contra um ônibus escolar israelense, onde ficaram feridos uma criança e o motorista, gerou a pior ofensiva de Israel na faixa nos dois últimos anos.
Além de causar quase 20 mortos, os bombardeios deixaram meia centena de feridos na faixa, onde não se registrava uma onda de violência tão grave desde a operação "Chumbo Fundido", que ocorreu entre o fim de 2008 e o início de 2009 e matou 1.400 palestinos e 13 israelenses.
Após o recrudescimento da violência, as milícias palestinas em Gaza acordaram neste domingo de acordo para respeitar um cessar-fogo com Israel, como revelaram fontes do movimento islamita Hamas, que controla a faixa.
Por sua vez, o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, declarou neste domingo que Israel estava disposto a um cessar-fogo com as milícias palestinas de Gaza.

Link: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/900760-liga-arabe-pedira-a-onu-zona-de-exclusao-aerea-em-gaza.shtml